1. Por que os cartões cripto estão bombando na América Latina
Instabilidade cambial e acesso ao dólar
Em economias onde a moeda local perde valor rapidamente, stablecoins atreladas ao dólar, como USDC e USDT, se tornaram uma proteção prática. Um cartão cripto transforma esse saldo em stablecoin em poder de compra do dia a dia, permitindo que o usuário mantenha valor em um ativo vinculado ao dólar e o gaste localmente sem precisar de uma conta bancária nos EUA. Para muitos usuários argentinos e venezuelanos, esse acesso ao dólar é o principal atrativo, não a especulação.
Remessas e pagamentos internacionais
A região é um dos maiores mercados de remessas do mundo. Em 2024, a América Latina e o Caribe receberam US$ 161 bilhões em remessas, transferências não comerciais de dinheiro enviadas por migrantes para seus países de origem, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento. A previsão era que o dinheiro enviado para casa em 2025 chegasse a cerca de US$ 174,4 bilhões, um aumento de 7,2% em relação a 2024. Os trilhos cripto conseguem reduzir as taxas das transferências tradicionais: um trabalhador nos EUA pode enviar USDC para um familiar na Colômbia, que então gasta esse valor localmente com um cartão cripto. Como referência, a Bitso Business processou US$ 12 bilhões em 2024, incluindo US$ 6,5 bilhões em remessas entre EUA e México, mais de 10% do maior corredor de remessas do mundo.
Infraestrutura fintech em crescimento
A aceitação de Visa e Mastercard é ampla no México, Brasil, Colômbia, Peru e Chile, e a cultura bancária voltada para o mobile na região prepara o terreno para a adoção de cartões cripto. Só o México já é um dos mercados cripto mais ativos da América Latina, com uma estimativa de 28 milhões de usuários de cripto e uma infraestrutura de pagamentos construída em torno do SPEI, Mastercard e carteiras digitais. A clareza regulatória também está melhorando, um ponto ao qual voltaremos mais adiante.
2. Como funcionam os cartões de criptomoedas
Entendendo o fluxo de gastos
A mecânica é simples. Você carrega uma carteira com cripto ou moeda local, gasta em qualquer estabelecimento que aceite a rede do cartão, e o emissor converte a cripto para a moeda local nos bastidores. O Binance Card, por exemplo, permite a conversão em tempo real de ativos digitais para moeda fiduciária no ponto de venda, possibilitando que os usuários façam compras em mais de 90 milhões de estabelecimentos no mundo todo. Alguns cartões usam um modelo de recarga pré-paga (você carrega um saldo antecipadamente), enquanto outros convertem em tempo real a partir do saldo da sua exchange ou carteira no momento do pagamento.
Modelos de cartão custodial vs. não custodial
Existem dois modelos estruturais, e a diferença importa mais na América Latina do que em quase qualquer outro lugar.
Cartões custodiais, como Crypto.com, Binance e Wirex, mantêm seus fundos em uma carteira gerenciada. A experiência do usuário é mais simples, mas você assume risco de contraparte: se o emissor congelar contas ou quebrar, seu saldo fica exposto.
Cartões não custodiais, como o MetaMask Card e o Gnosis Pay, deixam você no controle das suas chaves privadas, com o emissor acessando os fundos apenas no momento da compra. Em regiões com restrições de exchange, controles de capital ou risco de congelamento de ativos, esse modelo de autocustódia atrai usuários que querem minimizar a dependência de uma única empresa. Qual modelo é mais adequado depende da sua própria tolerância a risco.
3. Melhores Cartões Cripto Disponíveis na América Latina: Ranking e Comparação
Não existe um "melhor" cartão absoluto aqui, a escolha certa depende do seu país e do seu perfil de gastos. Organizamos a lista abaixo pela abrangência de disponibilidade na América Latina e pela estrutura verificada de custo-benefício, e não por uma pontuação única. O MyCardCompare atribui a cada cartão uma avaliação editorial independente, que você pode conferir na página do cartão; essas avaliações são atualizadas regularmente e não têm relação com o emissor do cartão.
Crypto.com Visa Card
O cartão da Crypto.com segue uma estrutura escalonada vinculada ao staking do token CRO ou ao pagamento de uma assinatura mensal. Os níveis Level Up de 2026 são: Basic (gratuito, 0%), Plus (stake de US$ 500, 2%), Pro (US$ 29,99/mês ou stake de US$ 5 mil, 3%) e Private (stake de US$ 50 mil a US$ 1 milhão, 4–8%). O cashback máximo de 8% fica no nível Prime, que exige um stake alto, enquanto usuários casuais no nível básico têm uma experiência de cartão de débito comum, sem recompensas. Nos caixas eletrônicos, os saques sem taxa são limitados a US$ 1.000 por mês no nível Obsidian. A Crypto.com está disponível em 96 países desde julho de 2026, cobrindo a maioria dos mercados latino-americanos onde a Visa é aceita, embora nos EUA seja usado um produto de cartão de crédito separado. Ideal para: quem quer maximizar recompensas e está disposto a travar CRO em staking. Como as recompensas são pagas em CRO, lembre-se de que o preço do token pode variar entre o momento em que você ganha e o momento em que gasta.
Binance Card
O cartão da Binance tem taxas amigáveis, mas sua abrangência geográfica encolheu bastante. O Binance Card já foi um dos cartões cripto mais disponíveis globalmente, mas a Binance saiu do mercado do EEE no final de 2023 e relançou seu cartão como um Mastercard exclusivo do Brasil em outubro de 2025. Os relatos sobre disponibilidade são conflitantes, algumas fontes listam Colômbia, Peru e Argentina em determinados momentos, então confirme a cobertura no app para o seu país antes de contar com ele. Quanto às recompensas, o cashback anunciado de 8% exige manter 600 BNB, e para a maioria dos usuários comuns o cashback real fica entre 0,1% e 2%. No Brasil, o cashback padrão é limitado a 2% (120 BRL), a taxa de câmbio é de 1–2% (podem ser aplicados impostos de IOF), e os saques em caixas eletrônicos permitem 2 gratuitos por mês, depois 1,50 USD por saque. Melhor para: usuários que já usam a Binance em mercados suportados e querem um cartão sem anuidade.
Ripio Card
A Ripio é uma exchange sediada em Buenos Aires com forte presença regional. O Ripio Card é um Visa pré-pago feito para o mercado latino-americano, especificamente Argentina e Brasil, e recompensa gastos em cripto com 2% e gastos em moeda fiduciária com 0,5%, sem exigir staking ou manutenção de níveis complicados. Uma taxa de 0,5% se aplica a compras feitas com criptomoeda, e não há taxas de manutenção ou emissão, embora taxas de operadoras de caixas eletrônicos terceirizadas possam ser cobradas. As recompensas são pagas em USDC, o que ajuda a preservar o poder de compra em economias com alta inflação. O cartão da Ripio está listado como disponível em alguns países da América Latina, além dos EUA e da Espanha. Melhor para: usuários argentinos e colombianos que querem uma marca regional e cashback previsível em stablecoin.
Wirex Card
O Wirex é um cartão multimoedas que aceita cripto e moeda fiduciária, com um dos históricos mais longos da categoria, atuando desde 2014. As taxas de recompensa por nível são: Standard 0,5%, Premium até 2% e Elite até 8%, sendo que o Elite exige assinatura mais um bloqueio de 7,5 milhões de WXT. Desde 2014, já atendeu mais de 6 milhões de usuários com uma proposta simples: guarde qualquer moeda, gaste em qualquer moeda, sem taxas de câmbio. Os saques em caixas eletrônicos são gratuitos até cerca de US$ 200/mês no plano Standard, depois cobram 2%, e o plano gratuito custa US$ 0/ano com 0,5% de Cryptoback e 0% de câmbio. As recompensas são pagas no token WXT, então seu valor em dólares acompanha o preço desse token. A disponibilidade na América Latina é mais restrita do que a da Ripio, então vale confirmar a elegibilidade no seu país. Ideal para: viajantes e usuários avançados que lidam com várias moedas.
MetaMask Card
O MetaMask Card é a opção não custodiante que mais se destaca, com presença real na América Latina. É um cartão de débito Mastercard que rende de 1% a 3% de cashback, com anuidade de US$ 0 a US$ 199/ano. O cashback é pago em mUSD, a stablecoin própria da MetaMask: 1% no cartão Virtual gratuito e 3% nos primeiros US$ 10.000 por ano (depois 1%) no cartão Metal, que custa US$ 199/ano. As regiões fora dos EUA continuam disponíveis, incluindo os principais países da América Latina: Argentina, Brasil, Colômbia e México, com o Chile também na lista. Vale lembrar que novos cadastros nos EUA foram pausados a partir de julho de 2026, mas isso não afeta os usuários da América Latina. Ideal para: defensores da autocustódia que querem recompensas em stablecoin em vários mercados latino-americanos.
Outras Menções Importantes
O Nexo Card oferece uma linha de crédito garantida por colateral em cripto. Você gasta usando suas criptomoedas como garantia sem precisar vendê-las e ainda ganha até 2% de volta, o que reduz eventos tributáveis e evita spreads ocultos de conversão. A disponibilidade na América Latina varia, então confirme para o seu país.
O Gnosis Pay é um cartão Visa não custodial, no qual você mantém o controle da sua carteira até o momento da compra. A disponibilidade na América Latina ainda está em estágio inicial, mas é um dos modelos de autocustódia mais promissores para acompanhar ao longo de 2026.
Tabela Comparativa Rápida
Cartão | Rede | Cashback | Taxa anual | Taxa de saque | Principais mercados na América Latina | Custodial? |
|---|---|---|---|---|---|---|
Crypto.com Visa | Visa | 0% base → até 8% (CRO, staking) | US$ 0 (planos pagos de US$ 4,99–US$ 29,99/mês) | Gratuito até US$ 200–US$ 1.000/mês, dependendo do nível | Ampla cobertura (96 países)¹ | Custodial |
Binance Card | Mastercard | Até 8% anunciado; ~0,1–2% na prática | US$ 0 | 2 saques grátis/mês, depois ~US$ 1,50 (Brasil) | Brasil (+ Colômbia/Peru/Argentina, segundo relatos)² | Custodial |
Ripio Card | Visa | 2% em cripto / 0,5% em moeda fiduciária (USDC) | US$ 0 | Podem ser cobradas taxas de terceiros no saque | Argentina, Brasil (+ região) | Custodial |
Visa/Mastercard | 0,5% base → até 8% (WXT) | US$ 0 (planos pagos de €9,99–€29,99/mês) | Gratuito até ~US$ 200/mês, depois 2% | Limitada, verifique² | Custodial | |
MetaMask Card | Mastercard | 1% no plano gratuito / 3% no plano Metal (mUSD) | US$ 0–US$ 199 | Varia | Argentina, Brasil, Colômbia, México, Chile | Não custodial |
Nexo Card | Mastercard | Até 2% | US$ 0 | Gratuito dentro dos limites | Seleção de países, verifique² | Custodial |
Gnosis Pay | Visa | Varia | Baixa | Varia | Estágio inicial | Não custodial |
Dados verificados em julho de 2026. ¹A disponibilidade considera um país onde pelo menos uma variante de cartão ativa o lista; produtos individuais podem ter cobertura mais restrita. ²A disponibilidade está sujeita a mudanças; confirme a elegibilidade no aplicativo do emissor antes de solicitar.
4. Taxas, câmbio e estrutura de custos explicados
Taxas de conversão e spread
A taxa de conversão é a cobrança explícita para transformar cripto em moeda fiduciária; o spread cambial é a diferença entre a taxa de câmbio que você recebe e a taxa real de mercado. A maioria dos cartões cobra uma taxa de conversão de 0% a 3%, mas o spread costuma ser o custo oculto mais alto. Por exemplo, a taxa de conversão de 0,9% da Binance é uma desvantagem em comparação com as taxas de conversão de 0% da Crypto.com. Os cartões de stablecoin reduzem essa exposição, já que converter USDC ou USDT para BRL, MXN ou COP envolve muito menos volatilidade de preço do que converter BTC ou ETH.
Taxas e limites de saque em caixas eletrônicos
A maioria dos cartões cripto oferece uma cota mensal gratuita para saques em caixas eletrônicos, cobrando de 1% a 2% acima desse limite. A Wirex, por exemplo, é gratuita até aproximadamente US$ 200/mês no plano Standard e até US$ 1.000/mês no Elite, com cobrança de 2% acima disso. Qualquer cartão cripto Visa ou Mastercard funciona em caixas eletrônicos compatíveis em toda a região. Para minimizar custos, use primeiro sua cota gratuita e escolha um plano com limite gratuito maior se você costuma sacar dinheiro com frequência.
Taxas anuais, mensais e de inatividade
Vários cartões não cobram anuidade: a Ripio, o plano gratuito da MetaMask e os planos básicos da Crypto.com e da Binance ficam todos em US$ 0. Fique atento a dois pontos, no entanto: os custos de assinatura mensal em planos premium (até €29,99/mês no Wirex Elite) e as taxas de inatividade ou de cancelamento de cartão. No Brasil, por exemplo, a Binance cobra uma taxa de cancelamento do cartão físico de R$ 30 dentro do primeiro ano. As taxas de emissão e substituição de cartões físicos também variam de acordo com o mercado.
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5. Programas de Cashback e Recompensas: O Que os Usuários da América Latina Precisam Saber
Cashback em Stablecoin vs. Cashback em Cripto Volátil
Recompensas pagas em BTC ou ETH têm potencial de valorização, mas seu valor pode cair entre o momento em que você ganha e o momento em que gasta. Recompensas pagas em stablecoins, como USDC, USDT ou mUSD, oferecem um poder de compra mais previsível, o que importa muito mais em economias latino-americanas com alta inflação. O Ripio Card paga em USDC e o MetaMask paga em mUSD, enquanto o Crypto.com paga em CRO e o Wirex em WXT. Se você é sensível à inflação, os cartões com stablecoin são a escolha mais conservadora.
Requisitos de Staking e Riscos de Bloqueio
As taxas mais altas anunciadas quase sempre exigem o bloqueio de um token nativo. O nível Prime do Crypto.com exige um staking de US$ 1 milhão para 8% de cashback, e o nível Obsidian exige US$ 500 mil para 5%. A taxa máxima de 8% da Wirex exige o bloqueio de 7,5 milhões de WXT por 180 dias no plano Elite de €29,99/mês. Durante qualquer período de bloqueio, o preço do token pode cair, corroendo o valor real das suas recompensas. Os níveis de entrada da Ripio e da Wirex não exigem staking algum.
Estruturas dos Programas de Recompensas de Cartões Cripto
Os programas são de taxa fixa (2% da Ripio sobre gastos em cripto) ou escalonados (Crypto.com, Wirex, Binance). Alguns incluem bônus por categoria, os níveis superiores do Crypto.com adicionam reembolsos de assinaturas para serviços como Spotify e Netflix. Para descobrir seu retorno real, calcule o cashback líquido após os custos de assinatura, o spread de conversão e o câmbio. Uma taxa fixa de 2% sem assinatura muitas vezes supera uma taxa anunciada de 8% que exige um plano pago e um grande bloqueio de tokens.
6. Disponibilidade Regional: Qual Cartão Funciona Onde?
México
Com o Bitso Card descontinuado, os usuários mexicanos recorrem a opções internacionais como o MetaMask Card (disponível no México) e, quando disponível, a Binance. A integração com o SPEI continua sendo o principal canal de entrada e saída, o SPEI da Bitso no México é processado em minutos a 24 horas e é gratuito, o que ainda torna a Bitso útil como exchange mesmo sem cartão. O marco regulatório do México está ancorado na Lei Fintech de 2018.
Brasil
As opções de cartão cripto Brasil incluem a Binance (relançada com foco no Brasil em 2025) e o Ripio Card. A integração com o PIX permite liquidação quase instantânea em reais, o PIX no Brasil é gratuito e é processado em minutos. O arcabouço tributário cripto sob a Receita Federal é relativamente desenvolvido em comparação a outros países.
Argentina
O Ripio Card é a escolha natural de cartão cripto Visa Argentina, desenvolvido localmente em parceria com a Visa. Os controles de capital moldam a forma como os usuários fazem recargas e saques, e é exatamente por isso que os cartões atrelados a stablecoins em dólar são tão procurados: eles permitem que os usuários argentinos guardem valor em dólares e gastem em pesos.
Colômbia
As opções de cartão de gastos cripto Colômbia incluem a Ripio e, quando disponível, a Binance. Quando a Binance foi lançada por lá, o cartão veio com até 8% de cashback em compras qualificadas e isenção de taxas em saques no caixa eletrônico. As taxas de conversão para COP e a cobertura local de caixas eletrônicos Visa são as principais variáveis a se verificar. O banco central da Colômbia continua aprimorando suas diretrizes sobre cripto.
Outros Mercados da América Latina (Chile, Peru, Uruguai)
A aceitação de Visa e Mastercard é geralmente sólida no Chile, Peru e Uruguai. Para quem viaja entre países, os cartões com maior alcance, o Crypto.com e o Wirex no lado custodial, e o MetaMask no lado não custodial, oferecem a experiência mais consistente.
7. Cartões Custodiais vs. Não Custodiais: Um Olhar Mais Profundo
Riscos dos Cartões Custodiais em Mercados Emergentes
O colapso da FTX é o exemplo clássico de alerta: quando um emissor guarda seus fundos, a insolvência dele vira prejuízo seu. Em mercados com políticas restritivas ou instáveis, também existe o risco de congelamento de ativos. O conselho prático aqui é simples: trate um cartão custodial como uma conta para gastos do dia a dia, não como um cofre de poupança. Mantenha nele só o valor que pretende gastar, e guarde quantias maiores em outro lugar.
O Argumento a Favor dos Cartões Cripto Não Custodiais
Com um cartão não custodial, você mantém o controle da carteira, e o emissor só tem acesso aos seus fundos no momento da compra. O MetaMask Card e o Gnosis Pay são os exemplos mais claros disso, e a cobertura já ativa do MetaMask na Argentina, Brasil, Colômbia, México e Chile torna a autocustódia algo realmente acessível na região hoje em dia. A disponibilidade de modelos totalmente autocustodiais ainda está se expandindo, e essa é uma das áreas que mais evoluem rápido no mercado até 2026.
8. Considerações Regulatórias e Tributárias na América Latina
Transações com Cartões Cripto São Eventos Tributáveis?
Como princípio geral, converter cripto em moeda fiduciária no ponto de venda pode ser considerado uma alienação tributável na maioria das jurisdições, incluindo o Brasil (regras de ganho de capital da Receita Federal), México (diretrizes do SAT) e Argentina (regime da AFIP). A conversão de stablecoin para fiduciária pode ter um impacto tributário menor quando o custo de aquisição é estável, já que há pouco ou nenhum ganho a declarar. Isso é uma informação geral, não uma consultoria tributária.
Requisitos de Compliance e KYC
Todos os principais cartões cripto exigem KYC completo, documento de identidade, comprovante de endereço e, em alguns casos, documentação sobre a origem dos fundos, com exigências que variam de acordo com o país. O cenário está mudando rapidamente, por isso vale consultar um profissional tributário local antes de tomar decisões baseadas no tratamento fiscal.
Escolhendo um Emissor de Cartão Regulamentado
Um emissor licenciado geralmente significa mais proteção ao consumidor e melhor resolução de disputas. A Bitso possui licenças regulatórias em Gibraltar (GFSC), México (CNBV), Argentina (CNV) e Brasil, e a Ripio opera sob registros regionais. Desconfie de emissores não licenciados que buscam usuários latino-americanos com taxas chamativas e pouca transparência.
9. Como Escolher o Cartão Cripto Certo para o Seu Perfil
Quem Gasta no Dia a Dia
Prioridade: taxas de conversão baixas, sem anuidade, suporte confiável em moeda local. Melhores opções: Ripio Card e o plano gratuito do MetaMask Card.
Quem Viaja com Frequência
Prioridade: ampla cobertura geográfica, acesso a caixas eletrônicos, suporte a múltiplas moedas. Melhores opções: Wirex (câmbio 0%) e os planos intermediários da Crypto.com.
Quem Quer Maximizar as Recompensas
Prioridade: maior cashback, disposição para fazer staking. Melhores opções: os planos superiores da Crypto.com e o Wirex Elite, com a ressalva de que ambos pagam em tokens nativos voláteis e exigem grandes valores bloqueados. Avalie recompensas em stablecoins versus tokens voláteis considerando sua própria expectativa de inflação.
Quem Usa para Remessas
Prioridade: integração com PIX/SPEI, spread cambial baixo, liquidação rápida. A melhor solução é usar uma exchange regulada com trilhos locais (Bitso para os corredores SPEI/PIX) combinada com um cartão de stablecoin. As remessas em cripto podem sair mais baratas que a Western Union e as taxas de transferência bancária tradicionais, especialmente em corredores de alto volume.
Quem Valoriza Privacidade / Defensores da Autocustódia
Prioridade: modelo não custodial, exposição mínima de dados. Melhores opções: MetaMask Card (disponível em cinco mercados da América Latina) e Gnosis Pay onde estiver disponível.
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10. Perguntas Frequentes
Qual é o melhor cartão cripto para a América Latina em 2026?
Depende do país e do uso que você vai dar: Ripio para Argentina e Brasil, MetaMask para recompensas em stablecoins em vários países, e Crypto.com para quem quer maximizar recompensas e está disposto a fazer staking. Não existe um vencedor universal, compare taxas, suporte à moeda local e a estrutura de cashback para o seu mercado específico antes de decidir.
Existem cartões cripto sem anuidade na América Latina?
Sim. O Cartão Ripio não cobra taxa de manutenção nem de emissão, e os planos gratuitos da MetaMask, Crypto.com e Binance custam $0. Fique de olho em custos escondidos, como níveis de assinatura, spread de conversão e taxas de cancelamento de cartão, como a cobrança de 30 BRL da Binance Brasil no primeiro ano.
Como o PIX e o SPEI se integram aos cartões cripto no Brasil e no México?
PIX (Brasil) e SPEI (México) são sistemas bancários locais instantâneos usados para movimentar dinheiro de e para o mundo cripto. Ambos são gratuitos e processam a transação em minutos a até 24 horas, o que reduz muito o atrito em comparação com transferências bancárias internacionais. Cartões vinculados a exchanges com essas integrações, como a Bitso, se beneficiam de recarga quase instantânea em BRL e MXN.
Quanto de cashback posso ganhar com um cartão cripto na América Latina?
Cerca de 0,5%–8%, dependendo do nível do cartão e do staking. Os retornos reais no dia a dia costumam ser menores, os 8% da Binance exigem manter 600 BNB em staking, e a maioria dos usuários acaba ganhando entre 0,1% e 2%. Recompensas em stablecoins (o USDC da Ripio, o mUSD da MetaMask) preservam melhor o valor do que cashback em tokens voláteis em economias com alta inflação.
Posso usar um cartão cripto em caixas eletrônicos por toda a América Latina?
Sim, qualquer cartão de criptomoedas Visa ou Mastercard funciona em caixas eletrônicos compatíveis. As franquias mensais gratuitas costumam variar entre US$ 200 e US$ 1.000, dependendo do nível da conta, com taxas de cerca de 1% a 2% acima desse limite. Use primeiro sua franquia gratuita e localize caixas eletrônicos parceiros pelos localizadores oficiais da Visa ou Mastercard.
As transações com cartão de criptomoedas geram impostos na América Latina?
Em geral, sim: a conversão de cripto para moeda fiduciária costuma ser um evento tributável no Brasil, no México e na Argentina. Conversões de stablecoins podem ter impacto menor quando o custo base é estável. As regras ainda estão evoluindo e variam de país para país, então vale consultar um contador ou especialista tributário local.
Conclusão: Encontrando o Melhor Cartão de Criptomoedas para Você na América Latina
O cartão de criptomoedas ideal na América Latina se resume a cinco fatores: taxas e spread cambial, estrutura de cashback e recompensas, disponibilidade por país, modelo de custódia e situação regulatória. Por perfil, a lista fica clara: Ripio para Argentina e Brasil, MetaMask para autocustódia multipaíses com recompensas em stablecoins, Wirex para viajantes que querem câmbio com 0% de taxa, e Crypto.com para quem busca maximizar recompensas e está disposto a fazer staking de CRO.
Esse mercado está mudando rápido: o encerramento do Bitso Card em 2025, o relançamento da Binance com foco no Brasil e a expansão das integrações com PIX/SPEI remodelaram o cenário em um único ano, e mais mudanças são esperadas até 2026. Avalie seus próprios hábitos de gastos e tolerância a risco, confirme que o cartão escolhido ainda está disponível no seu país e compare as opções selecionadas com base nos critérios acima antes de tomar sua decisão.
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